Revista Perfil Médico – Entrevista Dr. Adair

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1- Dr. Adair há quanto tempo você atua na profissão de urologista?
Exerço a especialidade urológica há 30 anos e ainda continuo buscando atualização, sempre incorporando e aprimorando novas técnicas que possam mitigar o sofrimento dos pacientes que tratamos.

2- Por que você escolheu Urologia?
Acho que foi pela essência da minha própria personalidade que imprime uma característica de vocação por desafios e a urologia apresenta esta natureza instigante. Por ser uma especialidade complexa e multidisciplinar ela se torna apaixonante para os especialistas. A urologia engloba uma vasta gama de sub especialidades clinicas e cirúrgicas, tais como: uro-oncologia (prevenção e cirurgia do câncer), uroginecologia (incontinência urinária feminina e masculina), uropediatria (mas formações congênitas), andrologia (sexualidade e distúrbios hormonais) e até mesmo o transplante renal. Dessa maneira, o urologista lida com todas as nuances do ser humano, atendendo crianças, jovens, adultos e idosos de ambos os sexos.

3- Como você define a medicina atual?
A medicina vem sofrendo mudanças fantásticas no campo da tecnologia com o surgimento de equipamentos avançadíssimos que abreviam a confirmação de diagnósticos complexos.
Mas, por outro lado, estamos presenciando uma tendência a uma instrumentalização exagerada da medicina, levando a uma desumanização e banalização dos enfermos. A tendência atual está focada em tratar a doença e não o doente. A cada dia o sistema de saúde nos obriga a lidar com números, tabelas e coeficientes de honorários que engessam a sensibilidade dos profissionais médicos.
A cada dia temos menos tempo para atendermos  integralmente aos doentes realizando no mínimo uma “ausculta” cardíaca e ou pulmonar decente. Não checamos mais um “timpanismo” abdominal e nem abordamos os reflexos fisiológicos dos pacientes.
Estamos a cada dia atuando de forma fragmentada, só cuidando de um micro sistema da nossa especialidade.
Precisamos resgatar a essência pura da medicina, no que ela tem de mais nobre que é o atendimento humanizado integral, capaz de promover a cura ou pelo menos mitigar a dor e o sofrimento dos nossos pacientes.

4- Qual sua maior realização neste ano de 2016?
Foi o prazer de finalmente inaugurar a Clinica Urocenter. Disponibilizamos para Uberlândia e região uma clinica com sede própria, agregando recursos diagnósticos “in loco” oferecendo substancialmente um atendimento mais humanizado aos pacientes.

5- Como conciliar profissão e família?
A família de um médico, sem dúvidas é sempre a parte mais sacrificada. A profissão médica é um sacerdócio e nós a colocamos sempre acima de tudo desde o nosso primeiro juramento. Citando Hipócrates – “Exercerei a minha arte com consciência e dignidade. A Saúde do meu Doente será a minha primeira preocupação.” A soberania da saúde dos pacientes está acima de todas as prioridades e a nossa maior recompensa está no simples reconhecimento dos enfermos pela nossa dedicação. A arte de promover a cura nos engrandece dignamente nos confortando pelas ausências sociais e familiares. Creio que é por cenas sucessivas como estas que nossas famílias continuam nos amando, compreendendo e nos perdoando pelo absenteísmo habitual.

6- Qual seus “hobbies” preferidos?
Confesso que nos últimos quatro anos venho trabalhando incessantemente, podendo até estar enquadrado na definição de “Workaholic”, pois além da jornada semanal de consultas e cirurgias, ainda assumo um plantão noturno aos sábados e domingos. Tudo isto com o objetivo de agilizar a construção da Clinica Urocenter. Quanto aos “hobbies” realmente não me furto deles. Quando mais jovem fui muito aventureiro chegando a fundar uma equipe moto velocidade integrada por médicos, disputando provas nos autódromos de Interlagos e outros do pais. Os pilotos foram o Paulo Henrique (Cirurgião Oncológico) e eu. Outro esporte que aprecio e ainda pratico regularmente é o tênis de campo, primordial para sanidade física e mental. Sou entusiasta também do ciclismo “mountain bike”, um veiculo politicamente correto, tão importante neste momento atual de degradação ecológica do planeta.
Mas, meu hobby favorito continua sendo a música. Sou fundador e vocalista da Banda de rock “A +”. Nosso repertório concentra-se no “rock vintage” do Creedence, Pink Floyd, entre outros.

7- Como você descreveria a vida?
Uma dádiva de Deus. Vivo em meio a uma família maravilhosa que me proporciona todas as realizações almejadas. Tenho muito mais a agradecer que pedir. Sou grato ao criador pela vida digna que me concedeste.

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8- Sua religião?

Descobri a verdadeira religiosidade ao participar de um retiro espiritual chamado “Cursilho” no ano de 2001. Neste movimento da Igreja católica descobri o verdadeiro sentido da vida, onde se cultua o ser em detrimento do ter, onde tomei consciência de que somos finitos e que devemos nos preparar para a eternidade espiritual. Fui coordenador diocesano do Movimento de Cursilhos de Cristandade em Uberlândia e atualmente sou o coordenador regional em Minas Gerais.

9- Qual o sentido da vida?
Posso definir com esta citação: “Pensamos sempre ao contrário, temos pressa de crescer e depois suspiramos pela infância perdida. Perdemos a saúde para ter dinheiro e logo em seguida perdemos o dinheiro para termos saúde… Pensamos tão ansiosamente no futuro que esquecemos o presente, assim nem vivemos o presente nem o futuro e esquecemos muitas vezes da família e amigos. Vivemos como se nunca fôssemos morrer e morremos como se nunca tivéssemos vivido. A Vida é feita basicamente de contrários. A palavra Vida tem apenas um “V o resto é só ida” (Autor desconhecido). A vida é simples assim, precisamos de pouco para darmos sentido à nossa existência. Mas, ao mesmo tempo nos decepcionamos muito ao depararmos com a desigualdade social em que convivemos. Muitos vivem miseravelmente e sem a menor perspectiva de obter dignidade e sozinhos somos totalmente impotentes para promovermos esta transformação. Precisamos urgentemente repensar nosso sistema político tão pervertido pela vergonhosa corrupção estampada nas  estruturas governamentais.

10- Para onde caminha a humanidade?
A cada dia nos distanciamos mais da intimidade e afetividade, estamos evitando a criação de vínculos e com isto nos isolamos dentro de nós mesmos. As redes sociais são refúgios limitados para nossas relações interpessoais. Perdemos afeto, carinho e bons momentos de convivência em prol de uma overdose de comunicação digital.

11- Sua análise da política atual?
Estamos vivenciando uma década de total descrédito nas estruturas governamentais. O país está órfão de lideres políticos íntegros e competentes. Nossa maior carência está na referência moral, cívica e patriótica. O sistema se desmantelou quando os dirigentes da nação sucumbiram à sedução da imoral corrupção. A banalização do governar em causa própria minou a decência da democracia. A nossa esperança está depositada na geração que nos sucederá, pois acho difícil acreditar em uma ação transformadora nos moldes em que as estruturas de poder estão sistematizadas.

 

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